Entrevista Especial Dorival Finotti

Em pleno ano da Pandemia, e portanto de anormalidades, a região ganhou uma nova usina, a Enersugar, que moeu em sua primeira safra em 2020, cerca de dois milhões de toneladas e gerou na região 400 novos empregos diretos e igual tanto indireto. A nova empresa espera dobrar essa capacidade em 5 anos, produzindo energia com o bagaço de cana, açúcar e etanol. Aliás, já fez a sua primeira exportação de açúcar, e segundo o empresário e um dos sócios, Dorival Finotti, as perspectivas são animadoras. Ele defende a transformação dessa matéria prima como valor agregado, através do processo de industrialização e considera que o setor deve passar todo por esse processo. A cana é um produto rico em novas oportunidades, mas ela ainda está atrasada em relação a soja na questão de tecnologia que não acompanhou a expansão da área a nível de Brasil. Ele defende que o setor é gerador de empregos, dando como exemplo a própria Enersugar, que já no seu primeiro ano de safra, abriu quase mil postos de trabalho direto e indireto, mas acredita que o perfil do negócio não deve obedecer a lógica do lucro pelo lucro, mas uma melhor remuneração dos trabalhadores. A mesma tônica deve acontecer na remuneração  dos plantadores de cana. Esta é uma inovação que a usina vem implantando no seu relacionamento com o mercado. O segmento deve atuar como agregador de valores que beneficie a região. Esse processo de exportar matérias primas in natura, como acontece com a soja, deve passar por uma grande transformação a médio e longo prazo, de sorte que passe a circular mais dinheiro na economia da região, tonificando o setor do agronegócios. As potencialidades são imensas para se alcançar esse objetivo, mas é preciso fazer a lição de casa para que o nosso PIB regional salte de 2 para 5 bilhões de reais, canalizando mais riquezas para o médio Paranapanema. Mas para alcançar esse objetivo é necessário investir  mais em tecnologia, principalmente no caso da cana de açúcar.  Eis os depoimentos de Dorival Finotti.

Enersugar: Produção de 400 milhões/ano em sua primeira safra.

QUEM É A ENERSUGAR

A Enersugar já existia com outro nome, que hoje mói dois milhões de toneladas de cana; ela é significativamente importante para os municípios em seu entorno e movimenta ao realizar todo esse movimento na estrutura que ela tem no setor de produção que ela tem no setor de produção  de açúcar, etanol e energia, ela movimenta em torno de 400 milhões/ ano. Isso para a região tem um valor significativo. Essa usina estava parada. Na verdade somos em três sócios, inclusive meu irmão Dirceu, e retomamos todo o empreendimento, reformamos toda a usina, demos uma modernizada no parque industrial e fizemos a primeira safra este ano. Foi uma safra mais curta em razão dos investimentos que tiveram que ser realizados. Foi um ano bastante interessante, porque como disse você, em plena pandemia nós conseguimos colocar um empreendimento que estava parado e colocamos para funcionar e gerar 300 empregos diretos e mais 400 indiretos, numa cidade relativamente pequena.  Temos hoje ônibus próprio que sai de várias cidades da região até a usina, levando funcionários até a usina. Então nós abrimos o mercado de trabalho para vários municípios da região. Eu não sou empresário que tenho o lucro por si próprio. A gente tem uma visão que tem que ser bom para a empresa, pra o empresário, mas bom para a coletividade. E para  que cada um faça a sua parte, que cada um ganhe aquilo que tem mérito.

A usina virou, está em ordem , nós temos uma parceria com um Fundo Americano, que é uma venda antecipada de açúcar e etanol, estando também voltado para as exportações. Já na primeira safra exportamos açúcar. Já temos uma venda para 2021 antecipada , aproveitando o dólar de 5,65. Fizemos um fechamento de 25 mil toneladas de açúcar. Isso já está consolidado. Estamos repassando para os produtores de cana  na forma de contrato, essa oportunidade de exportação, ou seja estamos transferindo riqueza , o que é bom e  moderniza um pouco o setor.  Nós temos um projeto para os próximos anos de chegarmos a 4 milhões de tonelada.

Essa usina  na verdade com a geração de energia e outros produtos, nos próximos 7 anos  se tudo ocorrer dentro da normalidade, é uma usina para faturar 1 bilhão de reais por ano.

Ali é um bom parque industrial, estrategicamente bem localizado. Acredito que a quantidade de energia que podemos gerar ali na hora em tudo estiver funcionando dentro do nosso planejamento, acredito que dá para gerar ali 30, 40 megawates, o que equivale mais ou menos a uma usina Canoas. Temos condições de dobrar esse produção de energia. O que significa dizer que praticamente temos ali duas usinas Canoas. Essa energia pode ser exportada para outros lugares do Brasil. Mas acredito que o mais inteligente seria a própria região aproveitar essa matéria prima para transforma-la em valor agregado em produtos que a região tem. 

Agronegócio 

Isso é uma coisa que a região precisa compreender. A região tem espaço para todas as culturas. A cana de açúcar tem várias vantagens. Ela tem uma eficiência foto sintética muito grande, capaz de captar muito energia com a irradiação solar para transformar isso em produtos . A cana pode ser uma grande vetora, ou um grande contribuidora para agregar valores a essa soja que o vale do Paranapema produz. Se fizer a conta de soja você vai entender, a cana tem uma função nesse processo. Se nós gerarmos energia com o bagaço da cana, com essa energia podemos industrializar toda a soja do vale, que hoje está sendo exportada para a China sem nenhum valor agregado para a região; é uma exportação in natura, que vai acabar gerando benefícios para os países importadores.  Como agregar valor? Através da industrialização dessa matéria prima rica em novas oportunidades de negócios e de ampliação de mercado de trabalho. De que forma? Aproveite essa energia da cana e mande essa soja com valor agregado. Consequentemente, nós estaríamos trazendo mais dinheiro para a região. E mais dinheiro para as pessoas, com o revigoramento da economia regional, e ainda os municípios. As vezes nem mais emprego, mas trabalho  melhor remunerado, o que é isso que importa. Remunerar o indivíduo melhor por conta da qualificação dele ou do que ele é capaz de produzir.  Eu diria que hoje mesmo valendo 140 reais a saca, a soja não é páreo para a cana. É uma lavoura capaz no seu todo, se bem aproveitada, ela gerará muito mais riqueza. O que está acontecendo com a cana aqui na região é que tecnologicamente ela ficou para trás, mas dispõe de um potencial muito grande para se modernizar. A soja está muito competitiva porque agregou essa tecnologia de ponta. Quando veio a transgenia, a soja passou de 100 sacas por alqueire para 140, o que é uma produtividade muito significativa.  E a cana que era 80 e 90 estacionou, não cresceu. Já existem investimento para colocar a cana acima de dois dígitos por hectare, saindo de 2. De 80 toneladas ir para 120 ou 130.

Estive na Austrália visitando as lavouras de cana  e verifiquei que aquele país investiu muito em tecnologia, estando hoje produzindo 130 toneladas de cana por alqueire. Mas a produção do país corresponde apenas a 10 por cento do que o Brasil produz. Nós precisamos alcançar  os índices obtidos pela Austrália, com a vantagem de que dispomos de muito mais terras para crescer. Observem que a cana no vale do Paranapanema, por si só, pode chegar a 120 ou a 130.    No Brasil a cana expandiu de 200 para 600 milhões de hectare, mas não investiu em tecnologia.  Houve apenas um aumento de área de plantio, mas isso agora precisa passar por um processo tecnológico de ampliação de produtividade.

Para aumentar a produtividade em primeiro lugar é investir em pesquisa, voltada não para satisfazer p ego das pessoas que estão no setor. Mas é preciso investir em tecnologia aplicada  e fazer com que esses conhecimentos tecnológicos se transforme em dinheiro. É assim que funciona. Precisamos trabalhar na cana de açúcar com biotecnologia com mais ênfase do que foi feito até agora. A grande maioria dos herbicidas que se produz até hoje são adaptações técnicas. Estamos parados hoje em 70 bilhões de faturamento no campo, enquanto a soja está na faixa de quase 300. A cana tem muito espaço para agregar valor. Ela pode ir para um patamar para 110 bilhões rapidamente.

A medida em que se tiver condições de criar esses mecanismo de agregação de valor , vai dobrar o PIB da região juntando cana, soja , milho, trigo, carne. Esse PIB hoje bruto é de 2 bilhões na região. Mas pode ir a 5 bilhões em 10 anos, se se trabalhar de forma gradual e planejada com a agregação de valores com uso da tecnologia. A região tem grande potencial a ser explorado, com a industrialização de matérias primas. Isso significa dizer que potencializada as nossas riquezas agropecuárias, estará se criando um novo modelo de desenvolvimento da região, com maior circulação de dinheiro em toda a economia. É o volume maior de dinheiro que tonifica o crescimento econômico, aproveitando os campos de possibilidades que o médio Paranapanema já dispõe. O agronegócio da soja, onde houve grandes investimentos em tecnologia, é um bom exemplo do que poderá acontecer com a região em termos de desenvolvimento.