Prolongamento da crise agrava situação do comércio 

Economia está sangrando com a crise e a beira do colapso. 

O empresário Felipe Granado declarou que o prolongamento da crise, em decorrência do coronavírus que se alastra pelo país, agrava a situação do comercio e asfixia o setor com as sucessivas prorrogações do isolamento social e fechamento do comércio. E o pior é que não há uma previsibilidade  de quando poderá reabrir, causando um efeito cascata na questão do desemprego e até no fechamento de muitas lojas. Apesar do governo prometer uma ajuda financeira para pagar salários , é um tipo de empréstimo que terá que ser resgatado lá na frente e que as empresas não terão condições de pagar mesmo contando com juros subsidiados. Segundo ele, as demissões em massa já estão acontecendo, agravando a questão do desemprego. O setor aguardava que a partir de maio a atividade seria retomada, mas uma nova prorrogação para o dia 10 de maio, acabou criando um sentimento de frustração para a classe empresarial e as perspectivas não são otimistas uma vez que técnicos e cientistas da área de saúde afirmam que o pior ainda está por vir com o afrouxamento da quarentena.  Os índices de isolamento social vem caindo nas grandes cidades, o que é ainda mais preocupante devido a letalidade da doença Covid 19. 

“Os reflexos para a nossa economia – afirma Granado – é bem aquilo que o presidente Bolsonaro fala. O país está mergulhado numa recessão econômica que não se pode medir . Dentro dessa ótica, o setor do comercio está parado há mais de 40  dias e se a quarentena não se estender, não se estender essa paralisia será ainda mais longa e angustiante . Um mês para para o comerciante já é péssimo. O Brasil estava saindo de uma crise econômica de 2016 a 2019, e quando 2020 prometia um reaquecimento, mesmo que lento, mesmo com uma serie de reformas que haviam sido aprovadas pelo Congresso, o coronavírus veio como  uma marreta na cabeça do gado que estava a caminho do abatedouro , porque além do desânimo geral para consolidar novos investimentos , o fechamento do comercio provoca uma série de reflexos financeiros. Nos alugueis que é o nosso caso , na geração de emprego, no consumo, etc. Então o dinheiro que normalmente ia circular no comercio em geral, começa a escassear e enxugar as reservas que cada pessoa dispõe. Como não se tem previsão de receita , gera um efeito dominó em grande escala.  Nessa pandemia financeira, acabam surgindo os aproveitadores da situação quase de caos, usando a âncora maior que é o coronavírus para poder de fato , não pagar suas obrigações de rotina. Ou a melhor das hipóteses, forçam a quebra ou desconto de contratos, ameaçando ir a Justiça. Usa a crise para não honrar com seus compromissos. Esse comportamento é muito ruim e nocivo para a economia, prejudicando o comercio em geral. Isso é baque muito grande para toda cadeia produtiva e prestadora de serviços, já afetada drasticamente pela própria crise em si. É óbvio que  essa situação, por ora, ainda configura exceções. De maneira geral, as pessoas querem honrar seus compromissos, e estou me referindo ao nosso mercado regional. 

É sabido que houve uma redução grande no consumo, principalmente no setor alimentício, inclusive no delivery. O temor pela ameaça permanente da doença faz com que muita gente não use esse serviço, com medo de contaminação. Acho que é um efeito dominó muito grande, mas que não se consegue medir, mas que existe. O quadro é o pior possível. Empresários estão desesperados,  mandando funcionários embora, desemprego aumentando , ou dando férias na expectativa de que as coisas voltem a normalidade. Infelizmente, demissões e perda de renda já estão ocorrendo em massa.  

“Acredito – acrescenta — que se o comercio não retomar suas atividades a partir do início de maio , vamos ter uma perda muito grande de todos os lojistas porque vão renegociar  valor de aluguel , pagando funcionário parado. Vamos dar um exemplo clássico do lojista que se preparou para a estação outono/inverno. Se não abrir a partir de maio e como todos os boletos estão vencendo , ele vai ter que pagar e não terá receita.  Não adianta a linha de credito do governo federal para pagar funcionário. A economia não vai voltar pujante . Já tem reflexos. Já houve prejuízos . É uma ilusão imaginar que se vai vender todo o estoque da estação quando as lojas estavam fechadas. O que não vendeu fechado é prejuízo . A nossa projeção mais pessimista é que o comercio não voltando agora no início de maio, aí o sistema entra em colapso. Por mais que o empresário tenha um fundo de reserva, ele tem funcionários, impostos a pagar, etc. E de outro lado, o funcionário está em casa agoniado, esperando voltar ao trabalho, contando com o salário no final do mês. Via de regra, cerca de 50 por cento dos assalariados já estava endividado, segundo levantamentos oficiais. E não se vislumbra uma situação mais promissora, quando o governo estima uma drástica redução do PIB para o próximo ano. A economia vai encolher.  O auxilio emergencial que foi oferecido, é uma coisa paliativa, que se dá com uma mão para tirar da outra. Na verdade a gente está numa sinuca de bico , não se vê saída. Infelizmente, o vírus o sazonal. Não tem previsão de ir embora, erradica-lo é praticamente impossível, a não ser com a vacina que ainda está em fase de pesquisa pela Ciência. Isso vai estar no ar até o final do ano. Agora como você ajusta seus negocios diante dessa situação. Eu era muito resistente a restrição . O que estamos fazendo na Kasa Imobiliária é administrar problemas, e está tendo um retrabalho . A minha inadimplência aumentou de 15 para 40 por cento , as desocupações aumentaram 15 por cento e a inadimplência saltou para 20 por cento. É com esses dados que estou trabalhando. 

Na verdade não se pode pensar só em isolamento e esquecer a economia. Tem que unificar um planejamento  entre as diferentes correntes de opinião. Estamos diante de um grande impasse. Temos que colocar tudo nas mãos de Deus , porque Ele é o Senhor das nossas vidas, e procurar o bom senso para resolver os problemas. Toda essa situação inusitada compromete já o ano de 2021. Ninguém queria esse vírus e não vamos entrar no mérito acusando a China de ser a responsável pela  propagação da doença. Chegou no Brasil muito antes do que se esperava. Nós tivemos carnaval e festa no país inteiro. Não temos sequer uma estatística correta do número de infectados. A gente não conhece com exatidão esse universo de pessoas doentes. Pode ser muito mais do que o Ministério da Saúde e os governadores estimam, porque há os assintomáticos que não entram nesse rol oficial. Agora começaram a chegar os testes que, embora atrasados porque não havia disponibilidade no mercado, vão ajudar a clarear mais essa situação. É preciso ter paciência trabalhando um dia de  cada vez, na expectativa de que as coisas realmente melhorem. Temos que ser honestos e éticos com a nossa clientela. Não adianta tapar o sol com a peneira. Não se pode negar que está havendo perdas financeiras imensas, catastróficas. O momento é de muita cautela e sem pânico”.

Para Felipe Granado, na melhor das hipóteses, se a questão de saúde for resolvida, a luz no túnel só começa a aparecer no final deste ano para a economia.  É com essa realidade que se tem que trabalhar, segundo o empresário. É um exercício e aprendizado muito difícil, que exige bom senso e serenidade de todos não somente do Brasil, mas do mundo todo atingido pela doença. Os países terão que se reinventar. Os governantes terão que investir muito em pesquisa para o enfrentamento de situações inusitadas como essa. Depois da pandemia muita coisa vai mudar. Será necessário se adaptar a novos comportamentos, E finalizou: “Quando um banco se dispõe a doar a bilionária cifra de 1 bilhão de reais para ajudar o governo a sair da crise, é sinal de que a coisa é realmente muito séria, pois é um segmento que só trabalha com informações sobre o que vai acontecer daqui a 10 anos a frente, Instituição financeira não rasga dinheiro. Mas existe para ganhar dinheiro, muito dinheiro”.